Tecnologia inédita aumenta segurança de recém-nascidos em UTIs neonatais

19/02/2026
A newborn baby

Projeto combina realidade virtual, gamificação e simulação clínica para treinar profissionais de saúde em ambiente seguro

Uma tecnologia desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGB) da Universidade Potiguar (UnP), promete transformar a forma como profissionais de saúde são treinados para atuar em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) neonatal. Utilizando realidade virtual, gamificação e simulação clínica, a inovação permite que estudantes e profissionais pratiquem, em ambiente seguro, a técnica do cateter central de inserção periférica (PICC), procedimento essencial para recém-nascidos que necessitam receber medicação pela via intravenosa.

O projeto foi idealizado por Débora Feitosa de França em sua tese de doutorado, sob orientação de Ricardo Cobucci, professor de Medicina da UnP, integrante da Inspirali, e desenvolvido em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), por meio do Instituto Metrópole Digital (IMD). Intitulada “Desenvolvimento de Tecnologias Digitais para Ensino da Técnica de Cateter Central de Inserção Periférica em Neonatologia”, a pesquisa já foi premiada nacionalmente e resultou no registro de duas patentes, sob os números BR 512024004007-2 e BR 512024004008-0.

Da vivência clínica à inovação tecnológica

A idealizadora do projeto explica que a proposta surgiu a partir de sua experiência prática na assistência neonatal. “A ideia dessas tecnologias é oferecer um material de treinamento em um ambiente seguro, para que o aprendiz não desenvolva essa proficiência diretamente no paciente. Ele pode simular, treinar, percorrer mentalmente todas as etapas do procedimento e chegar mais confiante, menos ansioso e com o raciocínio mais estruturado”, destaca Débora.

O professor orientador complementa que o método tradicional apresenta limitações. “Há muitos anos, o treinamento para inserção do PICC é feito com bonecos, o que não permite simular com fidelidade o ambiente real. O profissional precisa lidar com a tensão do momento, além das técnicas envolvidas, algo que essas tecnologias conseguem reproduzir de forma muito mais próxima da realidade”, explica Ricardo.

Entre 2022 e 2024, o projeto passou por etapas de desenvolvimento, testes de usabilidade e validação com equipes multidisciplinares formadas por profissionais de saúde, especialistas em neonatologia e desenvolvedores de tecnologia da informação, sob a coordenação do professor Alysson Matheus de Souza, do IMD.

Simulação em realidade virtual e gamificação

O sistema é composto por duas tecnologias complementares: o PICC Baby, um jogo em 2D baseado em narrativas interativas, e o PICC Baby VR, que utiliza realidade virtual imersiva. O PICC Baby trabalha a técnica por meio de minijogos, simulando tomadas de decisão, habilidades de comunicação e o passo a passo da inserção do cateter, incluindo posicionamento, medição, angulação e possíveis erros clínicos.

“Ao errar, o aluno recebe feedback e retoma o processo, avançando apenas quando executa corretamente todas as etapas. Isso fortalece o raciocínio clínico, a segurança técnica e a humanização do cuidado”, detalha Débora. Já no PICC Baby VR, o usuário entra em uma UTI neonatal modelada em 3D a partir de plantas arquitetônicas reais, interage com a mãe do bebê, avalia o recém-nascido e executa todas as etapas do procedimento em primeira pessoa, utilizando óculos de realidade virtual.

Reconhecimento nacional e produção científica

O projeto já resultou em publicações científicas, apresentações em congressos e na conquista do prêmio de Melhor Paper de Iniciação Científica no Congresso Brasileiro de Jogos e Games (SBGames), realizado em Salvador, em 2025. Para o professor Ricardo, o reconhecimento é reflexo da excelência do trabalho desenvolvido no PPGB da UnP. “Nosso programa de pós-graduação recebeu conceito 4 na avaliação da Capes, e pesquisas como essa demonstram o porquê. Estamos focados em inovação e produção acadêmica de qualidade”, ressalta.

A expectativa é que o sistema seja incorporado às aulas práticas da UnP e também utilizado por estudantes da UFRN, fortalecendo a integração entre instituições e ampliando o alcance da inovação. “Sinto gratidão por ter concluído esse projeto ao lado de pessoas comprometidas e inspiradoras. Não foi um processo simples, houve muitos aprendizados, mas acredito que essas tecnologias têm potencial real para qualificar o ensino da técnica de inserção do PICC e impactar positivamente a prática clínica”, conclui Débora.

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