Pesquisa identificou consumo de suplementos em 59% dos lares consultados no Brasil; nutróloga alerta para o risco de combinar produtos sem avaliar a necessidade
Os suplementos alimentares estão presentes em 59% dos lares brasileiros, onde ao menos uma pessoa consome esses produtos, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD). A presença de suplementos em casa, porém, não significa que todos os moradores precisem usá-los.
“Para a maioria das pessoas, uma alimentação variada e equilibrada fornece os nutrientes necessários”, explica Débora de Narde, nutróloga e professora de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi, cujo curso de Medicina é parte integrante da Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil.
Segundo ela, a suplementação deve considerar a alimentação, a fase da vida, as condições de saúde e, quando necessário, os resultados de exames. “Há situações em que ela pode ser indicada antes mesmo de surgir uma deficiência. Um exemplo é o ácido fólico para mulheres que planejam engravidar. Nesse caso, a suplementação é recomendada antes mesmo da gestação porque ajuda a reduzir o risco de alterações no desenvolvimento do tubo neural do bebê”, afirma Débora.
Débora recomenda mais cautela com suplementos usados em doses altas ou sem indicação clara, entre eles as vitaminas A, D e E e o ferro. “Embora sejam nutrientes importantes para o organismo, o excesso também pode fazer mal”, alerta. Ela chama atenção ainda para produtos que prometem emagrecimento rápido, aumento de energia ou ganho acelerado de massa muscular, sobretudo quando reúnem muitos ingredientes.
A professora afirma que o whey protein e a creatina têm boa evidência científica, por isso, podem ser úteis em situações específicas, como para pessoas que têm dificuldade de atingir a necessidade de proteína ou buscam melhorar força e massa muscular. “Isso não significa, porém, que seu uso seja necessário para todos”, reforça.
A nutróloga ainda detalha que é preciso estar atento à fórmula de cada produto, de modo a evitar o consumo do mesmo nutriente repetidamente. Isso pode ocorrer, por exemplo, ao tomar um polivitamínico junto com outros suplementos de vitaminas e minerais. Dependendo do produto e da dose, também podem surgir interações com medicamentos e efeitos indesejados. “Quando vários suplementos são usados ao mesmo tempo, fica mais difícil saber o que realmente está fazendo efeito ou causando algum sintoma”, diz Débora.
Antes de iniciar a suplementação, ela orienta a avaliar hábitos alimentares, rotina, atividade física, medicamentos e outros produtos em uso, além das condições de saúde e dos fatores de risco para deficiências. Não existe uma lista de exames necessária para todas as pessoas: os testes, quando indicados, devem ser escolhidos conforme a avaliação individual. Ela também destaca que é preciso definir a dose e o tempo de uso. “Antes de pensar em qual suplemento comprar, o primeiro passo é entender se aquela pessoa realmente precisa dele”, conclui.