Campanha reforça a importância da prevenção, da vacinação e do diagnóstico precoce para combater doenças que podem evoluir silenciosamente por anos
Silenciosas, muitas vezes sem sintomas e capazes de causar graves danos ao fígado ao longo do tempo. Assim são as hepatites virais, grupo de doenças que continua representando um importante desafio para a saúde pública no Brasil e no mundo. Durante o Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre o tema, especialistas reforçam a importância da prevenção, da vacinação e da realização de testes para o diagnóstico precoce.
Embora os avanços da medicina tenham contribuído para reduzir a mortalidade associada às hepatites virais nos últimos anos, milhares de pessoas ainda convivem com a doença sem saber. Em muitos casos, a infecção permanece assintomática durante anos, sendo descoberta apenas quando já provocou complicações mais graves, como cirrose hepática ou câncer de fígado.
Para Evaldo Stanislau, médico infectologista e professor da Universidade São Judas, integrante da Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, a falta de sintomas nas fases iniciais é um dos principais desafios para o enfrentamento da doença. “As hepatites virais costumam ser chamadas de doenças silenciosas porque muitas pessoas permanecem infectadas durante anos sem apresentar qualquer manifestação clínica. Por isso, a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais. Quanto mais cedo identificamos a infecção, maiores são as chances de evitar complicações e interromper a cadeia de transmissão”, explica.
O que são as hepatites virais?
As hepatites virais são inflamações do fígado causadas por diferentes vírus. Os tipos mais comuns são as hepatites A, B e C, cada uma com características próprias de transmissão, prevenção e tratamento.
A hepatite A é transmitida principalmente por água e alimentos contaminados ou pela falta de condições adequadas de higiene e saneamento básico. Já as hepatites B e C costumam estar associadas ao contato com sangue contaminado, ao compartilhamento de objetos perfurocortantes, a procedimentos realizados sem condições adequadas de biossegurança e a relações sexuais desprotegidas, especialmente no caso da hepatite B.
Embora algumas infecções possam ser eliminadas naturalmente pelo organismo, outras podem evoluir para formas crônicas e causar danos progressivos ao fígado.
Fique atento aos sinais
Nas fases iniciais, muitas hepatites virais não provocam sintomas. Quando surgem, os sinais podem incluir:
- Cansaço excessivo;
- Febre;
- Mal-estar;
- Náuseas e vômitos;
- Dor abdominal;
- Perda de apetite;
- Urina escura;
- Fezes claras;
- Pele e olhos amarelados.
Como esses sintomas podem ser confundidos com diversas outras doenças, a realização de testes é considerada uma das principais estratégias para o diagnóstico precoce.
Prevenção salva vidas
A boa notícia é que grande parte dos casos pode ser evitada por meio de medidas simples. Entre elas estão a vacinação contra as hepatites A e B, o uso de preservativos nas relações sexuais, o não compartilhamento de seringas, agulhas, alicates de unha, lâminas de barbear e outros objetos perfurocortantes, além da adoção de cuidados com higiene e saneamento.
Além disso, os testes rápidos para hepatites virais estão disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), permitindo a identificação precoce da infecção e o encaminhamento para tratamento quando necessário. “Hoje dispomos de vacinas eficazes para alguns tipos de hepatite e de tratamentos capazes de controlar ou até curar determinadas infecções. O grande desafio continua sendo fazer com que as pessoas procurem informação, realizem os testes e mantenham a prevenção em dia”, destaca Evaldo.
Neste Julho Amarelo, a principal mensagem é que a prevenção continua sendo a melhor forma de proteção. Conhecer as formas de transmissão, manter a vacinação atualizada e realizar exames quando indicado são atitudes que ajudam a reduzir novos casos e a evitar as consequências mais graves das hepatites virais.