Horário de Verão: entenda como a mudança de relógio pode impactar o sono

02/10/2024
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Período de adaptação pode gerar sonolência diurna, irritabilidade e mau humor em pessoas mais sensíveis, afirma neurologista

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), ligado ao Ministério de Minas e Energia, recomendou o retorno do horário de verão em 2024. Caso a proposta seja adotada, os brasileiros terão que adiantar os relógios em uma hora após o segundo turno das eleições municipais. Do ponto de vista do órgão, a volta do horário de verão surge como uma estratégia para otimizar o uso de energia solar. Enquanto isso, especialistas em saúde orientam que as pessoas observem como a mudança pode afetar a qualidade do sono.

Segundo a neurologista Aline Vieira Scarlatelli Lima Bardini, professora de Medicina na UniSul/Inspirali — principal ecossistema de educação em saúde do país — e especialista em Medicina do Sono, a mudança pode afetar a qualidade do sono, especialmente nos primeiros dias de adaptação. “A perda de uma hora de sono pode gerar sonolência diurna, irritabilidade e mau humor em pessoas mais sensíveis à mudança”, explica a especialista.

Ela ressalta que, embora a maioria das pessoas consiga se ajustar ao novo horário após alguns dias, os efeitos podem ser mais acentuados para quem tem maior sensibilidade ao sono. No entanto, Bardini destaca que, por ser uma alteração temporária, dificilmente haverá prejuízos a longo prazo se o ritmo do sono for ajustado de forma adequada.

Grupos específicos, como crianças, adolescentes e idosos, tendem a sentir mais os efeitos dessa alteração. “Os extremos da vida são os que mais sofrem com mudanças no ritmo circadiano. Nessas fases, o impacto no sono tende a ser maior”, afirma a especialista.

Cuidados com a saúde do sono

A médica reforça que prestar atenção à qualidade do sono é um cuidado que deve ser observado não só no horário de verão. Segundo a neurologista, a perda de uma hora de sono, persistente e de forma crônica, ou seja, ao longo de anos, pode resultar em Síndrome do Sono Insuficiente — mais conhecida como privação de sono. Nesse caso, ocasionando problemas a longo prazo.

Ela explica que dormir menos não significa ser mais produtivo, muito pelo contrário, no decorrer do tempo, pode gerar danos irreversíveis. “Dormir não é perda de tempo, mas sim ganho de qualidade de vida. Quem dorme menos que o necessário pode ter perda de memória e tendência a desenvolver doenças crônicas como diabete e hipertensão. Além disso, a taxa de mortalidade é maior em indivíduos que dormem menos do que o necessário”, afirma.

Como se adaptar ao novo horário

Para amenizar os efeitos do horário de verão no organismo, a neurologista recomenda algumas práticas importantes de higiene do sono. Entre as principais orientações estão:

Evitar a exposição a telas (celulares, computadores, TVs) próximo ao horário de dormir.

Reduzir o consumo de cafeína no final do dia.

Evitar atividades estimulantes à noite.

Expor-se à luz natural, especialmente na primeira hora após acordar.

Praticar atividades físicas regularmente.

Essas medidas podem ajudar a minimizar o impacto da mudança de horário no ciclo circadiano e acelerar a adaptação ao novo ritmo.

Sobre o horário de verão

O horário de verão tem como objetivo principal reduzir o uso de usinas termelétricas, deslocando o pico de consumo para um horário com maior incidência de luz solar, o que poderia aliviar o uso de fontes de energia mais caras e poluentes. A decisão final, no entanto, ainda depende do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com o adiantamento dos relógios, o consumo de energia elétrica durante o fim da tarde, um dos momentos de maior demanda, seria atendido por uma maior oferta de luz solar. Isso evitaria o acionamento de usinas termelétricas, que além de poluir mais, aumentam os custos operacionais do sistema energético.

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