Iniciativa, fruto de uma parceria entre a Universidade Potiguar e o Hospital Naval de Natal, também marca o ano em que o curso de Medicina da UnP celebra duas décadas de tradição na formação médica no Rio Grande do Norte
Em um estado marcado pela extensa faixa litorânea e pela forte presença da pesca e do mergulho profissional, os acidentes subaquáticos representam um desafio importante para os serviços de saúde. Desde 2020, foram registradas 29 ocorrências no Rio Grande do Norte, segundo dados da Marinha do Brasil, número que acende um alerta sobre a preparação dos profissionais para atuar nesses cenários.
Considerando essa necessidade, o curso de Medicina da Universidade Potiguar (UnP), integrante da Inspirali, ecossistema responsável pela gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, lançou, em parceria com o Hospital Naval de Natal (HNNa), o curso gratuito de extensão “Medicina Hiperbárica com Ênfase em Tratamento de Vítimas de Acidente de Mergulho”.
Com início em maio, a capacitação possui carga horária de 80 horas e será realizada em espaços da UnP e do Hospital Naval de Natal, com encontros aos sábados. Ao todo, foram ofertadas 30 vagas para estudantes do internato de Medicina, do quinto e sexto ano, e membros do hospital naval, com o intuito de ampliar o conhecimento prático e teórico na área.
Entre os conteúdos abordados estão fisiologia do mergulho, emergências subaquáticas e manejo de pacientes vítimas de acidentes relacionados à atividade. Complicações neurológicas e respiratórias, doença descompressiva, embolia gasosa arterial, barotraumas, e síndrome de hiperpressão pulmonar são outros temas que serão trabalhados no decorrer das aulas. Os alunos ainda terão contato com situações que exigem tomada rápida de decisão, trabalho em equipe e atuação ética em cenários de urgência e emergência. Além da aplicação em acidentes de mergulho, os conhecimentos possuem interface com infectologia, tratamento de feridas complexas e medicina ocupacional.
Para a coordenadora do curso de Medicina da UnP, Regina Venturini, a proposta reforça o compromisso da instituição com uma formação conectada às necessidades regionais. “Nosso objetivo é proporcionar experiências formativas alinhadas aos desafios reais da prática médica. Esse curso amplia o repertório técnico dos estudantes e fortalece a capacidade de atuação em contextos de urgência e emergência muito presentes na nossa realidade costeira”, afirma.
Segundo o Capitão de Fragata médico-RM1 Nelson Elias Andrade Júnior, a parceria contribui para aproximar a educação médica dos contextos vividos em comunidades litorâneas do Nordeste. “Em regiões costeiras, especialmente no Nordeste, é frequente o atendimento de pescadores artesanais expostos diariamente a mergulhos profundos e condições precárias de trabalho. Formar médicos preparados para reconhecer e tratar acidentes de mergulho é transformar conhecimento em vidas preservadas”, destaca.
De acordo com o médico, muitos profissionais recém-formados acabam sendo o primeiro contato de pacientes com doenças descompressivas e outras complicações relacionadas ao mergulho em hospitais de pequeno e médio porte, sem terem recebido orientação específica. “Essa parceria surge justamente para suprir essa lacuna, unindo necessidade epidemiológica regional e formação prática qualificada”, explica.