Marcada por dores intensas, síndrome afeta cerca de 3% da população e sua incidência é maior entre mulheres
Celebrado em 12 de maio, o Dia Mundial da Fibromialgia chama atenção para uma condição crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, marcada principalmente por dores generalizadas, fadiga intensa, alterações no sono e impactos emocionais. Apesar de não ter cura, a fibromialgia pode ser controlada com acompanhamento multidisciplinar, incluindo cuidados médicos, prática de atividade física, suporte psicológico e alimentação equilibrada.
“A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica. E essas dores vêm acompanhadas de fadiga, choro persistente, cefaleia, e o sono não consegue ser reparador. Esses sintomas transformam a vida do paciente em um verdadeiro caos. Pequenos estímulos são interpretados pelo cérebro como grandes dores”, afirma Jussimar Almeida, reumatologista e docente da Faculdade Ages, integrante da Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a doença atinge cerca de 3% da população brasileira e é mais comum entre mulheres. Muitas vezes, o diagnóstico demora a acontecer porque os sintomas podem ser confundidos com os de outras condições.
“A fibromialgia ainda é uma doença de causa cientificamente desconhecida. Existem fatores que são associados à síndrome, principalmente do quadro clínico do paciente, como histórico de trabalho ou de exposição a certos ambientes, que podem desencadear a fibromialgia. Então, como é um diagnóstico de exclusão, a gente afasta outras causas para poder entender o que é que pode provocar isso”, explica a especialista.
Em relação ao tratamento da fibromialgia, Jussimar Almeida explica que também é multifatorial. “A gente precisa da ajuda do paciente primeiro para reconhecer causas de piora e de melhora. Conseguir afastar essas causas já ajuda muito. Além disso, alimentação inflamatória, com açúcares, leite, massa, pode piorar o quadro. A gente sempre recomenda atividade física, que é muito eficaz, além de medicações anti-inflamatórias e até para crise convulsiva, que são padrões para tratamento também”.
Fisioterapia como forte aliada
Segundo Isa Lago, professora de Fisioterapia da Ages, a fisioterapia possui uma ampla atuação em pacientes com fibromialgia, principalmente no controle da dor, através de técnicas que ajudam a reduzir a tensão muscular, melhorar a circulação e estimular a liberação de substâncias relacionadas ao bem-estar, como endorfinas. “Existem algumas condutas que podemos utilizar nos pacientes com essa patologia: exercícios aeróbicos leves, alongamentos, fortalecimento muscular gradual, terapia manual, exercícios respiratórios e técnicas de relaxamento”, explica.
Além disso, de acordo com a especialista, o fisioterapeuta permite ao paciente compreender seus limites e a manter uma rotina de movimento sem sobrecarga, o que contribui para diminuir crises dolorosas. “Embora a fibromialgia tenha múltiplos fatores envolvidos, a prática regular de exercícios pode ajudar na prevenção do agravamento dos sintomas e das crises. Exercícios de baixo impacto, como caminhada, hidroginástica, pilates, alongamentos e fortalecimento leve, auxiliam mantendo a mobilidade, o condicionamento físico e o equilíbrio muscular”, destaca.
Os principais benefícios da fisioterapia na reabilitação do paciente com fibromialgia incluem redução da dor muscular, da fadiga, da rigidez, da ansiedade e do estresse; melhora da qualidade do sono, da mobilidade e da flexibilidade; aumento da disposição; ganho de força muscular e condicionamento físico; e promoção de maior independência nas atividades diárias.
Somos o que comemos
Mudanças na rotina alimentar com uma dieta equilibrada também podem trazer contribuições significativas aos pacientes com fibromialgia, como suavizar desconfortos. Segundo o nutricionista e coordenador dos cursos de Nutrição e Fisioterapia da Ages, Bruno Almeida, os nutrientes mais indicados para minimizar as dores da fibromialgia são magnésio, vitamina D e ômega-3.
“O magnésio age como um calmante natural do sistema nervoso central, bloqueando receptores da dor; a vitamina D regula genes ligados à inflamação; e o ômega-3 reduz citocinas pró-inflamatórias como IL-6 e TNF-alfa (Mirzaei, 2025)”, explica. Esses nutrientes são encontrados em alimentos fáceis de incluir no dia a dia como sementes de abóbora, castanhas, espinafre e feijão (magnésio); gemas de ovo, fígado e peixes gordurosos como salmão (vitamina D); e sardinha, cavala e linhaça (ômega-3, sendo os peixes de água fria superiores), além de azeite de oliva.
O especialista ressalta que manter uma boa hidratação e evitar o excesso de alimentos ultraprocessados faz muita diferença para quem convive com a fibromialgia. “O ideal é ingerir de 30 a 40 ml de água por quilo de peso ao longo do dia, de forma fracionada”.
Vale pontuar, por fim, que a data busca ampliar o debate sobre conscientização e acolhimento, combatendo o preconceito enfrentado por muitos pacientes que enfrentam dores invisíveis e limitações físicas. Informação e empatia são fundamentais para garantir diagnóstico precoce, tratamento adequado e melhor qualidade de vida às pessoas com fibromialgia.