Como o TDAH impacta desempenho e rotina de estudantes universitários?

29/01/2026
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Transtorno tende a se tornar mais evidente no ensino superior e exige diagnóstico clínico e suporte adequado

A entrada na universidade pode evidenciar sintomas do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), condição do neurodesenvolvimento que afeta a atenção, a organização e o controle da impulsividade. As exigências acadêmicas, a necessidade de autonomia e a pressão por desempenho contribuem para o surgimento de prejuízos na vida acadêmica e pessoal de muitos estudantes.

De acordo com a professora da Unisul/Inspirali, Gianny Cesconetto, pediatra médica de adolescentes e psicoterapeuta, o TDAH envolve padrões persistentes de desatenção e hiperatividade-impulsividade, com início na infância e possível continuidade na vida adulta. “Na universidade, os sintomas se tornam mais visíveis diante de múltiplas demandas e da necessidade de organizar a própria rotina”, explica.

Entre as principais características em universitários estão dificuldade de concentração em aulas e leituras longas, perda de prazos, desorganização, dificuldade para concluir tarefas e inquietação mental. Segundo a professora, esses sinais costumam ser interpretados como falta de esforço quando, na verdade, refletem dificuldades reais no funcionamento executivo do estudante. Também podem ocorrer impulsividade nas decisões e impactos na autoestima e nas relações interpessoais.

O diagnóstico é clínico e deve considerar critérios específicos, histórico de sintomas desde a infância e prejuízo funcional real. A avaliação inclui entrevista detalhada e pode ser auxiliada por questionários que não devem ser utilizados de forma isolada, pois podem superestimar o transtorno. “É fundamental diferenciar dificuldades pontuais de um transtorno do neurodesenvolvimento”, destaca Gianny Cesconetto.

Estudos nacionais e internacionais mostram grande variação na prevalência do TDAH entre universitários, influenciada pela metodologia de avaliação. Pesquisas indicam taxas entre 0,6% e 30%, com prevalências maiores em cursos mais competitivos, possivelmente associadas à pressão acadêmica.

Sem acompanhamento adequado, o TDAH pode comprometer o desempenho acadêmico, o planejamento da rotina, o sono, o autocuidado e o desenvolvimento pessoal. Embora não tenha cura definitiva, o transtorno pode ser controlado com tratamento que inclui psicoeducação, estratégias de organização, Terapia Cognitivo-Comportamental e, quando indicado, medicação.

No Brasil, o acesso ao tratamento pelo SUS é regionalizado e pode variar conforme a estrutura local. Para a professora da Inspirali, o apoio institucional e familiar é fundamental. “Ambientes acadêmicos inclusivos e suporte adequado contribuem para o bem-estar, o desempenho e a permanência dos estudantes com TDAH”, afirma.

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