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Mulheres que inspiram a Medicina

01/03/2024

No dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional das Mulheres.  Para lembrar esse momento, selecionamos algumas mulheres que fizeram e fazem diferença na área médica e na sociedade de um modo geral. Algumas foram pioneiras, desafiando normas sociais, outras líderes contemporâneas que continuam a moldar o futuro da saúde. Confira, abaixo, o legado de 10 mulheres inspiradoras que quebraram barreiras e transformaram vidas.  

Listas das 10 mulheres inspiradoras

Dra. Irmã Monique Marie Marthe Bourget 

Religiosa e missionária marcelina, pioneira em serviços de saúde da família e comunidade. 

Nascida no Canadá, Irmã Monique juntou-se à Congregação das Irmãs de Santa Marcelina em 1989, enquanto estudava para ser médica. Quinze dias após virar freira, foi aprovada na faculdade de Medicina. Formou-se em 1992 pela Universidade McGill e especializou-se em Medicina de Família e Comunidade. Em 1994, veio para o Brasil a pedido da congregação para ajudar na missão de saúde, principalmente no Hospital Santa Marcelina, em Itaquera, São Paulo. Em 1996, liderou a criação das primeiras 27 equipes de saúde da família, em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, através do Projeto QUALIS. Posteriormente, em 1998, tornou-se diretora técnica do Hospital Itaim Paulista, onde permaneceu por sete anos antes de ser transferida de volta para Itaquera. 

Foi pioneira no Brasil como médica especializada em Medicina de Família e Comunidade, contribuindo para a formação dos primeiros especialistas do país e para o estabelecimento de uma residência médica nessa área no Hospital Santa Marcelina. A partir de 2012, começou a lecionar Tanatologia e Espiritualidade na Faculdade Santa Marcelina (FASM), acompanhando também os alunos em atividades pastorais e sociais. Recebeu o título de cidadã paulistana da Câmara Municipal em 2016 e, em novembro de 2019, obteve o título de Doutora pela Universidade de São Paulo. 

Em 2020, após dedicar 25 anos ao trabalho na Atenção Primária e no Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade de São Paulo, Irmã Monique embarcou em uma nova missão, dessa vez em Benin, na África. A ONG Sementes da Saúde, fundada pela Irmã em 2015, serve de apoio para essa e outras missões em todo o mundo. A ONG tem como objetivo, além de compensar uma antiga dívida cultural com o povo de Benin, de onde veio a maioria dos escravos que foram trazidos para o Brasil, promover e desenvolver ações de saúde de forma voluntária, solidária, idônea e imparcial ao redor do mundo para as pessoas que necessitam, preocupados em respeitar e valorizar sua vivência ética, cultural e ideológica, oferecendo não só saúde, mas empatia, compaixão, amor e cuidado a toda e qualquer pessoa, independentemente de seu país, cor, religião e ideologia. 

Atendendo ao pedido do Vaticano, Irmã Monique tem se dedicado a melhorar a saúde e as condições de vida da população local, levando médicos para essa importante missão humanitária. Eles estabeleceram um hospital na região, que atualmente oferece serviços médicos básicos, e uma Casa do Voluntário, que foi construída com fundos provenientes de doações e serve de base para voluntários da ONG. 

Profa. Dra. Ester Sabino 

Pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP), foi a primeira cientista brasileira a sequenciar o genoma do SARS-CoV-2 em um tempo muito curto, juntamente com a biomédica Jaqueline Goes. Em 28 de fevereiro de 2020, apenas dois dias após o primeiro caso confirmado no Brasil, sua equipe compartilhou o sequenciamento completo do vírus com a comunidade científica. Eles utilizaram uma técnica aprimorada de baixo custo, o que ajudou a entender como o vírus começou a se espalhar e a monitorar suas variações. Esse estudo também foi importante para o desenvolvimento de vacinas e testes diagnósticos. Em comparação, em outros países, o sequenciamento levava até 15 dias para ser concluído. 

O trabalho de sequenciamento genômico teve início nos anos 80, quando o vírus HIV, responsável pela Aids, foi descoberto. Desde então, a pesquisadora expandiu sua atuação para o estudo de doenças transmitidas pelo sangue e, depois, para investigações sobre doenças tropicais, incluindo a doença de Chagas. Na coordenação do Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (Cadde), Ester supervisiona o acompanhamento de epidemias dos vírus da dengue, chikungunya e febre amarela. 

Em 2021, ela recebeu a Medalha Armando de Salles Oliveira, a mais alta honraria da Universidade de São Paulo. Além disso, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico de São Paulo criou o Prêmio Ester Sabino para Mulheres Cientistas, em homenagem aos seus esforços no combate à Covid-19. 

Dra. Zilda Arns 

“Madre Teresa brasileira.” 

Formou-se em Medicina na Universidade Federal do Paraná, voltando-se para as áreas de saúde pública, pediatria e sanitarismo. Criou a Pastoral da Criança, cujo objetivo é promover o desenvolvimento integral das crianças de zero a seis anos em seu ambiente familiar e em sua comunidade, e teve participação decisiva no combate à desnutrição e mortalidade infantis no Brasil. Hoje, a instituição está presente em todo o Brasil e em mais dez países da África, Ásia e América Latina. 

Entre outros prêmios, recebeu em 2002 o de “Heroína das Américas”, da Organização Pan-Americana de Saúde, e, em 2006, o prêmio espanhol Prêmio Rei Juan Carlos de Direitos Humanos, entregue pelo próprio monarca. 

Durante uma viagem ao Haiti para participar de uma conferência religiosa, a pediatra foi vítima de um terremoto que atingiu a capital, Porto Príncipe, em 12 de janeiro de 2010. Segundo informações divulgadas, parte do teto da igreja onde Zilda estava desabou sobre ela. 

Dra. Nise da Silveira 

Nise não foi apenas uma mulher visionária, mas também uma pessoa com uma sensibilidade extraordinária que humanizou o tratamento dos doentes mentais. Com sua determinação e personalidade forte, ela enfrentou o preconceito, a resistência e o machismo. Sua inteligência e dedicação lhe renderam reconhecimento internacional e trouxeram melhorias significativas para a vida de muitas pessoas.  

Foi uma psiquiatra brasileira conhecida por ser pioneira na aplicação de tratamentos humanizados para pacientes com transtornos mentais. Ela introduziu o contato dos pacientes com expressões artísticas e animais domésticos durante o tratamento, enquanto se opunha aos métodos violentos, como o eletrochoque. 

Nise da Silveira rejeitava a palavra “paciente” em relação aos internos dos hospitais psiquiátricos. Ela determinava o uso de “clientes”, para reforçar a relação de troca, mas preferia sempre se referir a eles pelos nomes. Cada pessoa é um universo.  

Ela se formou em 1931 na Faculdade de Medicina da Bahia e foi a única mulher entre outros 157 homens da turma.  

Nise foi contratada em 1944 para trabalhar no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Rio de Janeiro. Desde o início, ela se opõe às novas técnicas de tratamento, recusando-se a usar métodos como eletrochoque, camisas de força e isolamento. Essa postura causa conflitos com seus colegas, levando-a a ser transferida para a área de Terapia Ocupacional, que na época era negligenciada e sem recursos. 

Nesse momento, Nise e o médico Fábio Sodré revolucionam o tratamento das doenças mentais. Em vez de submeter os pacientes a tarefas de limpeza ou castigos físicos, práticas comuns na época, eles oferecem pincéis, tintas e telas brancas. Permitindo que os pacientes esquizofrênicos se expressem por meio da arte, muitas vezes criando mandalas, eles observam resultados incríveis: não apenas os comportamentos dos pacientes melhoram, mas eles também produzem verdadeiras obras de arte. O trabalho foi reunido no Museu de Imagens do Inconsciente, que ganhou projeção internacional.  

Fundou a Casa das Palmeiras, em 1956, o primeiro centro a inaugurar uma atividade para reinserir na sociedade os indivíduos que tiveram alta.  

“Nise – O coração da Loucura”, dirigida por Roberto Berliner e estrelada pela atriz Glória Pires. 

Dra. Rita Lobato Velho Lopes 

Primeira mulher a se formar médica no país, e a segunda na América Latina. Em 1887, Rita recebeu seu título de médica depois de defender uma tese sobre a operação cesariana, e se especializou em ginecologia e obstetrícia. Foi hostilizada por colegas e professores, pois fazia pouco tempo do decreto-lei de D. Pedro II que havia autorizado as mulheres a cursarem faculdade e obterem títulos acadêmicos. 

Rita atendia pessoas de todas as classes sociais, especialmente os menos favorecidos. Ela oferecia consultas gratuitas e fornecia medicamentos sem custo algum para quem necessitasse. Essa ação era uma forma de homenagear a memória de sua falecida mãe, que faleceu em decorrência de uma hemorragia no parto de seu irmão caçula. Esse fato marcou muito Rita, que tinha 17 anos na época. 

Dra. Maria Odília Teixeira 

Primeira médica negra do Brasil e primeira professora negra da Faculdade de Medicina da Bahia, inovou em sua tese ao desenvolver um estudo sobre a cirrose, tema incomum entre as médicas mulheres que a antecederam na Bahia, que em geral apresentavam estudos nas áreas de pediatria e ginecologia. O estudo foi apresentado durante um período em que teorias baseadas em eugenia e racismo científico estavam em pauta. Algumas doenças, como a cirrose, que eram atribuídas ao consumo de álcool, eram erroneamente associadas à ideia racista de uma suposta degeneração dos negros. 

Dra. Adriana Suely de Oliveira Melo 

Médica ginecologista e obstetra paraibana, foi a primeira profissional de saúde do mundo a associar os casos de microcefalia ao zica vírus, em 2015. Apenas após esse período é que começaram a ser divulgadas campanhas de conscientização voltadas para gestantes, incentivando-as a se protegerem contra o mosquito Aedes aegypti, o que contribuiu para melhorar a situação em todo o país. 

Dra. Valéria Petri 

Médica dermatologista, é formada em Medicina pela Escola Paulista de Medicina e ingressou como docente na mesma instituição em 1975. Concluiu o mestrado em Imunologia em 1981 e o doutorado em Dermatologia em 1982. Obteve o título de Livre-Docente em 1992 e é professora titular desde 1996. Foi a primeira profissional do país a identificar, em 1982, o sarcoma de Kaposi como manifestação da Aids e descreveu, em 1992, as diversas afecções dermatológicas ligadas a essa síndrome. Por seu trabalho nessa área, recebeu reconhecimento internacional. 

 Dra. Mariângela Simão 

É médica pediatra e sanitarista, com mestrado em Saúde Materno-Infantil no Reino Unido. De 2017 a 2022, foi diretora-geral adjunta da Organização Mundial da Saúde para Acesso a Medicamentos e Produtos Farmacêuticos. Atuou por 7 anos no Programa das Nações Unidas para o HIV/Aids como diretora de Prevenção, Gênero e Direitos Humanos. Acumula quase 30 anos de experiência no sistema público de saúde no Brasil, tendo trabalhado na Secretaria Municipal de Curitiba e na Secretaria Estadual de Saúde do Paraná, além de ter sido também diretora do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde do Brasil. Atualmente é diretora-presidente do Instituto Todos pela Saúde, baseado em São Paulo. 

 Dra. Maria Deane 

Registrou significativas descobertas sobre leishmaniose visceral, malária e doença de Chagas durante sua carreira científica, iniciada em 1936, no Pará, sua terra natal. Mais que uma cientista pioneira, Maria Deane foi uma mulher à frente de seu tempo: na década de 1930, formou-se em Medicina, tornou-se cientista e desbravou o interior do país para investigar doenças até hoje negligenciadas. Uma trajetória condizente à sua produção científica extremamente original, que até hoje levanta discussões. Decidida, dona de personalidade forte, Maria Deane não tolerava injustiças. Em sua vida pessoal e durante toda a carreira científica, sempre optou pela defesa de valores como humildade, solidariedade e honestidade. 

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