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Desastres e crises: especialista explica como lidar com os impactos na saúde mental

22/05/2024

Psiquiatra destaca medidas necessárias para acolhimento eficaz aos pacientes

Nos últimos dias, a situação vivida pelas vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul reascendeu a importante discussão sobre os cuidados com a saúde mental diante de situações extremas. É que testemunhar ou viver um desastre pode causar trauma psicológico e gerar estresse agudo, ansiedade, medo intenso, choque e sintomas de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).

“Quando as pessoas se encontram em vulnerabilidade por catástrofes, essas respostas emocionais tendem a serem levadas para extremos ou o limite alcançável, causando um colapso das possibilidades e, consequentemente, crises agudas de estresse. Essas crises podem se manifestar desde quadros ansiosos, insônia, preocupação excessiva e sintomas depressivos ou, até mesmo, quadros mais graves de dissociações, desrealizações ou psicoses”, explica o psiquiatra e professor do curso de Medicina da Universidade Salvador (UNIFACS), Vinicius Pedreira.

O especialista destaca que, inicialmente, o quadro vivido por essas pessoas é descrito como Reação Aguda ao Estresse ou Estresse Agudo e, se persistir por mais de um mês com as características de revivência e sintomas associados a essa revivência traumática, ocorre a instalação do TEPT.

Sintomas e comorbidades

Em muitos casos, os sintomas mais comuns para um possível quadro de Transtorno de Estresse Pós-Traumático podem ser o medo, a angústia e a ansiedade, sendo essas consideradas condições adaptativas justamente por fazer com o que o organismo responda em um modo de defesa. Já as comorbidades diretamente associadas ao transtorno são: depressão, bipolaridade, ansiedade, risco a abuso de substâncias psicoativas e transtorno neurocognitivo maior.

Contudo, Vinicius Pedreira esclarece que o desenvolvimento do Transtorno de Estresse Pós-traumático é mais propenso com fatores de risco, como um transtorno mental prévio “a exemplo da depressão, reatividade elevada ou até mesmo situações em que pessoa sente ou demonstra exageros em reações com cunho muito catastrófico, antecipando um evento que nem sempre tenha o risco real”, afirma o professor da UNIFACS, cujo curso de Medicina é parte integrante da Inspirali.

Acolhimento

O tratamento para o Transtorno de Estresse Pós-traumático inclui, desde o início, o suporte psicossocial e uso farmacológico pelo período de sintomas e, geralmente, ajustado conforme a periodicidade. Em alguns casos, é preciso que haja uma intervenção precoce por meio do uso de medicação, a fim de evitar o desenvolvimento futuro do transtorno.

“Mais do que ações pontuais diante de um desastre, seja ele natural ou não, é preciso trabalhar na promoção de saúde mental previamente como parte da estratégia de saúde pública”, afirma o psiquiatra.

O especialista também destaca outras medidas eficazes para um melhor acompanhamento e a promoção da saúde de pessoas diagnosticadas com TEPT, sendo elas:

  • Acolhimento e canais de comunicação para informação e promoção a saúde;
  • Acessibilidade a tratamentos médicos;
  • Acompanhamento regular multidisciplinar com psicólogos e assistentes sociais;
  • Intermediação de crise nos momentos agudos;
  • Garantia de atendimento durante o período que houver necessidade.

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