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Missão África: alunos da UniSul relatam experiências emocionantes

25/03/2024

Experiência transformadora. Foi assim que os alunos de medicina que participaram da Missão África, realizada pela Inspirali, definiram a expedição, que ocorreu entre os meses de janeiro e fevereiro em Benin, na África.

Encontro e relatos dos alunos da UniSul

Muitas das histórias vivenciadas em Benin, quinto país mais pobre do Continente Africano, foram reveladas em um evento que aconteceu na Unisul, integrante da Inspirali, que impactou quem escutou os relatos no auditório da Universidade, no dia 05 de março. Os olhos brilhantes demonstraram o fascínio pelas narrativas e, certamente, quem assistiu ficou motivado em dar continuidade a outros projetos de impacto social.

Realidade africana narrada em solo catarinense

Foi um momento muito especial, onde nove dos 44 participantes do projeto puderam compartilhar seus relatos, após 10 dias prestando atendimento médico em vilarejos de extrema vulnerabilidade. Neste curto período, eles puderam realizar 3 mil atendimentos e observar a rotina difícil da população local. O objetivo foi levar a medicina humanizada – como atividade prática e de extensão universitária – à comunidade africana, qualificando o currículo dos futuros médicos participantes e ajudando os mais necessitados. E quem foi para ajudar, se sentiu ajudado.

Mas precisava atravessar o oceano?

O professor Rodrigo Dias Nunes, diretor médico da regional Sul da Inspirali, garante que, realmente, o projeto é transformador. “Os participantes foram vivenciar uma realidade que jamais veriam aqui na nossa região”, ressalta.

“Mas qual foi o objetivo de a gente ir para fora? Porque muita gente pergunta, se nós temos tantas ‘Áfricas’ aqui dos nossos lados, por que a gente precisa atravessar um oceano para isso? E a resposta é simples: essa é a vivência de uma experiência. E eles trazem uma outra realidade para dentro de si, não só para o trabalho, não só para as suas atividades acadêmicas, mas eles se transformam como pessoa”, garante Rodrigo Dias Nunes, que também coordenou e foi um dos idealizadores da Missão África.

“Isso faz com que eles incentivem outras pessoas, porque é tão intensa a vivência que eles têm lá, que conseguem disseminar essas informações entre os seus colegas, nos seus ambientes de trabalho, que se refletem naquilo que eles viram lá na África.

Extrema pobreza e sem acesso à saúde pública

Em Benin, não há políticas de saúde pública gratuita, como no Brasil. Além disso, os indivíduos nascem e morrem, sem registros sobre essas informações. E o agravante é que a população vive em extrema pobreza. “Não adianta passar uma receita para continuidade da medicação, pois (as pessoas) não possuem dinheiro para comprar. Muitas enfermidades poderiam ser solucionadas com uma boa alimentação ou o simples ato de beber água, mas lá eles não possuem estes recursos básicos”, conta Nunes. Durante o trabalho, foi montada uma farmácia, na qual os medicamentos – arrecadados nas escolas e levados pelos alunos – eram cuidadosamente classificados e doados após os atendimentos para cada comunidade local.

Exaustão física e emocional

“Tivemos muita dificuldade com estrutura, alimentação e logística. A luz era muito instável, o calor ardente e todos os dias faltava água, para beber e para banho. Como esperado, foi bem exaustivo física e emocionalmente”, observa.

“Mas, quando iniciamos os atendimentos, nos deparamos com pessoas que estavam há três dias sem comer, necessitando de cuidados e, na maioria dos casos, nunca tinham recebido atendimento médico antes (e, provavelmente, não receberão novamente). Isso é muito impactante e nos fez valorizar ainda mais o respeito, o toque, o olhar”, conta Rodrigo Dias Nunes.

Experiência transformadora

Nunes salienta que os alunos fizeram toda a diferença, mesmo diante de situações extremas e muitas emoções. “Nos primeiros dias, tínhamos que estar muito atentos a eles. Tivemos muitas conversas de acolhimento; de apoio. Mas percebi que foi uma experiência de transformação para todos. Eles deram um show de conhecimento, destreza, resiliência, habilidade, carinho, união, foram realmente incríveis”, elogia.

 

Como foi compartilhar as experiências da Missão África?

Palavra das integrantes:

Crescimento na caminhada

“Para mim, particularmente, foi bem difícil conseguir consolidar tudo o que a gente vivenciou em algumas horas de relato. É difícil conseguir passar a informação. Mas também foi muito gratificante poder reviver esses momentos e ver o quanto a gente conseguiu crescer durante a caminhada que tivemos na Missão”, reconhece Gabriela Dachi, estudante da Unisul.

Readaptação

“Acho que a gente ainda está vivendo a fase da readaptação, pós-Missão, que está sendo tão desafiadora quanto à Missão. Voltar para a rotina, para os privilégios que a gente tem na nossa vida. Então, eu acho que está sendo muito desafiador, mas poder estar aqui hoje, compartilhando essa experiência que foi transformadora na vida de todos, é uma forma de poder relatar tudo o que a gente viveu lá e também de inspirar todos os alunos a participarem das ações que a gente tem dentro da Universidade”, avalia Gabriela , estudante de Medicina da Unisul.

Semente plantada

“Foi imensamente incrível, porque a gente via o brilho nos olhos dos calouros e é sensacional, porque um dia a gente esteve no lugar deles, sentadas neste auditório, e ouviu sobre a possibilidade de ir à África. E agora, voltar aqui,  poder falar para essas pessoas que a gente foi para lá e isso mudou a nossa vida, mudou a nossa formação, com certeza foi uma sementinha plantada que vai dar muitos frutos. Isso traz muita alegria”, revela Pâmela Altíssimo, estudante da UniSul e integrante da Missão África.

Saúde à população

“É muito desafiador, abrir a experiência mais difícil da nossa vida – que nos transformou – e tentar passar um pouco desse sentimento para eles. Tentar trazer a grandiosidade que é o Benin. Então, espero que tenhamos conseguido e que eles sejam o futuro, inclusive, a perpetuação disso. E que deem longevidade à saúde para toda população local, porque eles merecem muito”, comenta Lara, estudante da UniSul e participante da Missão África.

Palavras da plateia:

“Eu adorei, achei muito legal, bem impactante. Mas é confortante saber que de alguma forma eles puderam ajudar. Sempre tive o sonho de ir para a África e poder um dia fazer parte dessa Missão conforta um pouco o meu coração”, adianta Manuela, aluna da Unisul, que assistiu o evento.

 

Conheça os números

Missão África

Duração: 10 dias

Período: de 24 de janeiro a 7 de fevereiro de 2024

Grupo de voluntários: 30 estudantes de Medicina e 14 docentes

Atendimentos/dia: cerca de 300 pessoas

Total: 3 mil atendimentos

 

Realidade africana

Benin: quinto país mais pobre do Continente Africano

Mortalidade infantil: próxima de 50%, no primeiro ano de vida

Expectativa de vida: em média, 53 anos

 

 

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