A 3ª edição da Missão África, projeto idealizado pela Inspirali, que visa levar assistência e atendimento médico a regiões com pouco ou nenhum acesso a serviços de saúde acontece de 29 de janeiro a 13 de fevereiro com a presença de estudantes de medicina para uma experiência totalmente diferente daquela que vivenciam dentro de sala de aula. O objetivo é oferecer qualidade de vida para comunidades nas cidades de Adjarra, Avrankou e Lok-Po, em Benin, na África, e proporcionar experiência humanitária para futuros médicos.
Quinto país mais pobre do continente africano, Benin possui uma mortalidade infantil que chega próximo dos 50% no primeiro ano de vida e a expectativa de vida é, em média, de 53 anos. A maioria da população, em extrema pobreza, não possui saneamento básico, pouquíssimos têm energia elétrica e possuem acesso extremamente restrito à educação e saúde, já que não há escolas ou hospitais públicos. As principais enfermidades que o grupo deve encontrar são doenças prevalentes como hipertensão arterial sistêmica e diabetes melitus, grande prevalência de malária e uma doença endêmica chamada úlcera de Buruli.
A expectativa da Missão é atender cerca de 5 mil pessoas com cirurgia geral e trauma, atendimentos em ginecologia e obstetrícia, psiquiatria, clínica médica, medicina da família e comunidade, pediatria e geriatria. Um hospital (Centre de Santé de Adjarra), já em funcionamento na região, servirá como base, mas a expedição será dividida em grupos com diferentes atuações para prestar atendimento aos vilarejos locais. Além de procedimentos cirúrgicos e visitas domiciliares, os missionários também atuarão em um Centro de tratamento para pacientes com problemas de saúde mental.
Durante a Missão, os consultórios serão organizados em galpões ou debaixo de árvores sombreiras próximas ou dentro de paróquias e cada consultório contará com um tradutor de dialetos locais para o francês, colaborador da própria comunidade. Os alunos se comunicarão por meio do francês básico.
“Nas missões que realizamos no Brasil, por mais difícil que sejam, a população tem acesso a medicação e a exames, pois aqui temos o SUS. Já em Benin as pessoas nascem e morrem e não há registro dessas informações. As pessoas por lá não possuem acesso a recursos básicos como alimentação ou água potável, e isso já desencadeia inúmeras enfermidades. Também não possuem dinheiro para comprar medicação. Os remédios que levamos e os atendimentos que conseguimos oferecer são as únicas formas de contato em saúde que estas pessoas terão na vida”, conta Rodrigo Dias Nunes, Diretor de Travessia Humanitária da Inspirali.
Participarão da 3ª edição da Missão África 27 alunos, 4 egressos e 10 professores das escolas UNIFACS, Anhembi Morumbi, UniBH, Faseh, UniSul, Ages e UNIFG. A ação é uma atividade prática e de extensão universitária ao currículo da Inspirali em que participam estudantes que já possuem histórico em ações voluntárias, já participaram e se destacaram em alguma das edições anteriores da Missão Amazônia e estão nos dois últimos anos da graduação.
Segundo Rodrigo, as últimas experiências em Benin permitiram entender melhor a necessidade de uma comunicação sensível e adaptada e como construir vínculos com a comunidade, respeitando costumes, ritmos e modos de expressão próprios da população atendida, além de reforçar a importância de fluxos organizados de atendimento, triagem, registros e encaminhamentos, garantindo mais eficiência e segurança. “Estamos mais preparados quanto a maturidade emocional e profissional exigida, pois vivenciar cenários de vulnerabilidade real nos trouxe reflexões sobre empatia, ética, limites pessoais e o papel social do futuro médico. Vale destacar, ainda, o impacto das parcerias locais, onde percebemos como a articulação com lideranças comunitárias e instituições do território é essencial para que o trabalho seja sustentável e verdadeiramente transformador. Com esses aprendizados, chegamos à terceira edição mais preparados, conscientes e comprometidos em oferecer um atendimento ainda mais humano, qualificado e alinhado às necessidades da comunidade”, finaliza.