Especialista da Inspirali faz alerta sobre pneumonia

09/01/2026
Sarcopenia especialista alerta para diagnóstico e tratamento especialmente em idoso

Segunda causa de morte por doenças pulmonares no Brasil, condição afeta principalmente crianças e idosos

Motivo de preocupação principalmente entre famílias com filhos pequenos, a pneumonia merece sim um estado de alerta pois, se não tratada corretamente, as complicações podem ser fatais.

Segundo dados da revista CPAQV – Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida, entre 2019 e 2023, o Brasil registrou 933.452 internações por pneumonia em crianças, com o pico de casos em 2022, após uma redução temporária durante a pandemia de Covid-19. Os meses de abril e maio foram os com mais hospitalizações, devido a mudanças sazonais. Comparando por região, o Sudeste foi o que apresentou mais ocorrências, com 300.244 casos, seguida pela região Nordeste, com 284.277 casos. A faixa etária mais afetada foi a de 1 a 4 anos (467.525 internações), devido à exposição em creches e à imaturidade imunológica, mas crianças menores de 1 ano também foram severamente impactadas, com uma média de permanência hospitalar de 5,2 dias. O número de óbitos foi de 5.725, principalmente entre crianças menores de 1 ano.

Com o objetivo de esclarecer melhor quaisquer dúvidas sobre a doença, a Inspirali convidou a Dra. Soraia Bernardo Monteiro Cardoso, pneumonologista e professora na UnP, para falar sobre o assunto. Confira:

– O que é pneumonia?

R: Pneumonia é uma infecção nos pulmões que afeta principalmente uma região do Pulmão chamada alvéolo, onde ocorrem as trocas gasosas. Os alvéolos ficam cheios de secreção e a entrada de oxigênio para o sangue fica prejudicada.

– Como ela é contraída?

R: A pneumonia pode ser contraída principalmente por duas vias que são a inalatória, que pegamos pela respiração de pequenas gotículas que estão suspensas no ar, como ocorre por pneumonia viral, ou por microaspirações de secreções que geralmente estão nas vias aéreas superiores como em uma sinusite bacteriana.

– Como é feito o tratamento?

R: O tratamento depende da causa, mas é importante manter o paciente bem hidratado, fazer uso de analgésicos e antitérmicos quando necessário. Na suspeita de pneumonia bacteriana se usa antibióticos.

– Quais os sintomas?

R: Os principais sintomas são tosse que pode ser seca, mas geralmente tem catarro amarelado, dor torácica e, se pegar uma extensão pulmonar maior que 50%, o paciente pode ter falta de ar. O paciente também apresenta sintomas gerais como febre, falta de apetite e astenia. Na maioria dos casos são sintomas agudos de 2 a 7 dias de início.

– Quando procurar um médico?

R: O médico deve ser procurado quando os sintomas não desaparecem com 2 dias. Ou se os sintomas mais graves aparecerem, como falta de ar ou alterações neurológicas como sonolência ou confusão mental. Em indivíduos idosos, estes 2 últimos podem ser os únicos sintomas.

– Quem está mais propenso a contrair uma pneumonia?

R: As pessoas mais propensas a ter pneumonia são as crianças menores de 2 anos, os idosos e pessoas que usam medicações ou que tem doenças que diminuem a imunidade como os quimioterápicos, leucemia, diabetes e enfisema.

– Em qual época do ano ela mais ataca?

R: Ela ocorre mais no outono e inverno. Mas também depende da época que está ocorrendo o surto viral.

– Existem fases da pneumonia?

R: As fases da pneumonia são: a fase inicial que chamamos de congestão, onde se inicia a defesa do organismo contra o agente causador, a segunda fase chamamos de hepatização, que o pulmão perde sua aparência de esponja e fica consolidado como o fígado é quando conseguimos ver a imagem na radiografia de tórax, e a fase de resolução da doença.

– Quando podemos considerar o estado mais crítico?

R: Os estados mais críticos da pneumonia são aqueles em que o paciente tem um comprometimento importante do pulmão e o leva a insuficiência respiratória necessitando muitas vezes de ventilação mecânica. Ou quando a bacteriana entra na corrente sanguínea e causa o que chamamos de septicemia e o paciente necessita de medicações para manter sua pressão arterial adequada.

– Pneumonia pode matar? Quando?

R: Sim a pneumonia pode matar. É a segunda causa de morte por doenças pulmonares no Brasil.

– Como evitar?

R: Para evitar pneumonia temos as vacinas, isolar pacientes com pneumonia e indivíduos doentes, se precisarem ter contato com outras pessoas, usar máscara.  Pessoas de risco devem evitar lugares com aglomeração. Além de ter hábitos de higiene como lavar as mãos.

– As mudanças de temperatura podem aumentar a chances de contrair a doença?

R: Mudanças de temperatura, principalmente temperaturas baixas, diminuem a nossa defesa mucosa ciliar, além das pessoas ficarem em lugares mais fechados e aglomerados.

– E a poluição do ar? Interfere de alguma forma?

R: Um dos efeitos da poluição do ar refere-se a emissão de dióxido de carbono (CO2), pela queima de combustíveis fosseis, e o nosso pulmão entra em contato direto com essas substâncias pela respiração, o que leva uma inflamação constante das vias aéreas levando a uma piora de doenças já existentes, como a asma e aumento da incidência de doenças como a pneumonia.

– Pneumonia pode desencadear outros tipos de doença? Quais?

R: Pacientes com pneumonia podem agravar suas doenças de bases como ocorre com os asmáticos e cardiopatas. Além disso, pessoas que tem pneumonia mais graves podem ficar com sequelas pulmonares.

– Existem vacinas que ajudam a evitar pneumonia? Está disponível no SUS?

R: No SUS nós temos as vacinas antivirais contra influenza, covid, sarampo e mais recentemente a contra vírus sincicial respiratório para gestantes, que irão impedir casos mais graves de infecções, inclusive para os bebês. Temos também a vacina contra pneumococos, que é a principal bactéria que causa pneumonia. Temos a pneumo 10 com duas doses para crianças até 1 ano e 1 dose após 1 ano. Temos também a pneumo 15 e pneumo 23 para pacientes com doenças que levam a baixa da imunidade como os esplenectomizados.

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