Apenas 4 em cada 10 idosos com sintomas de depressão recebem diagnóstico médico no Brasil

09/02/2026
Sarcopenia especialista alerta para diagnóstico e tratamento especialmente em idoso

Pesquisa realizada pela UniSul com pessoas acima de 60 anos revela descompasso entre a autopercepção de sofrimento emocional e o reconhecimento clínico da doença.

Apenas quatro em cada dez idosos brasileiros que relatam sintomas compatíveis com depressão receberam um diagnóstico médico formal. O dado evidencia um descompasso relevante entre o que os idosos percebem sobre sua própria saúde mental e o que é efetivamente reconhecido pelos serviços de saúde.

A constatação é de uma pesquisa realizada por estudantes e professores da UniSul, em parceria com a University College London (Reino Unido). A análise envolveu 6.872 pessoas com 60 anos ou mais, amostra representativa da população idosa brasileira. Os resultados foram publicados em um artigo científico na Epidemiologia e Serviços de Saúde: revista do SUS (RESS).

Os dados mostram que 15,6% dos entrevistados relataram sintomas depressivos, como tristeza, solidão, perda de prazer nas atividades, dificuldade para lidar com as tarefas do dia a dia e sono não reparador. No entanto, apenas 12,2% afirmaram ter recebido diagnóstico médico de depressão. Quando se observa apenas o grupo que se sentia deprimido, a divergência fica mais evidente: 62,7% desses idosos nunca tiveram confirmação clínica da doença.

Para o professor Jefferson Traebert, coordenador do curso de Medicina da UniSul/Inspirali, pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde e orientador do estudo, a análise deixou claro que há uma lacuna entre a autopercepção de sintomas depressivos pelo paciente e o diagnóstico dado por um médico. “A própria percepção de sentir-se deprimido ou de ter dificuldade para seguir com a vida cotidiana já é, por si só, um sinal. Esses relatos devem funcionar como um alerta para familiares, profissionais da atenção primária e médicos, que precisam considerar a autopercepção do idoso como um possível fator de risco para depressão nessa faixa etária”, explica.

O estudo conclui que os transtornos de humor são frequentemente subdiagnosticados e subtratados entre idosos, o que amplia riscos como perda de autonomia, isolamento social, piora da qualidade de vida e aumento da mortalidade. Os pesquisadores destacam que sintomas como fadiga, alterações no sono, irritabilidade, problemas de memória e redução do prazer podem ser erroneamente atribuídos ao envelhecimento natural, dificultando o reconhecimento clínico da depressão. Ao demonstrar que a autopercepção de sintomas é mais prevalente do que o diagnóstico formal, os pesquisadores apontam para a importância de abordagens que integrem a escuta subjetiva dos idosos com métodos clínicos estruturados.

A pesquisa utilizou dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), coletados entre 2019 e 2021 pela Fiocruz Minas e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Para identificar o diagnóstico, os pesquisadores perguntaram se algum médico já havia informado ao participante que ele tinha depressão e se fazia uso de medicamentos para tratá-la. Já os sintomas foram aferidos por meio de questões sobre avaliação da vida, qualidade do sono e sentimentos como felicidade, solidão e tristeza.

Perfil dos entrevistados

Entre os entrevistados, 8,1% relataram uso de medicamentos relacionados à depressão. A prevalência de diagnóstico foi maior entre mulheres, idosos com até oito anos de escolaridade, sem companheiro(a) e sem aposentadoria ou pensão e aqueles que não praticavam atividade física.

Do total de participantes, 59,5% eram mulheres. A idade média foi de 71,1 anos. Quase metade não praticava atividade física, 18% consumiam bebidas alcoólicas e 10,8% eram tabagistas. Esses elementos compõem um cenário em que sintomas depressivos podem se confundir com outras queixas comuns do envelhecimento e com múltiplas comorbidades.

 

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