Especialista da Inspirali explica que período precisa ser aproveitado de forma estratégica, com foco no autocuidado
Férias são uma pausa necessária para que o corpo e a mente desacelerem. Principalmente para estudantes, é a época de dar uma desacelerada no ritmo intenso de provas, trabalhos, estágios, novas responsabilidades.
Segundo a Dra. Neoma Mendes, médica de família e comunidade e professora de medicina pela Inspirali, as férias são como um respiro que ajuda na regulação emocional, no humor e até na criatividade dos alunos. “Quando o cérebro não descansa, ele perde eficiência. Este período é o momento em que o estudante volta a ser simplesmente uma pessoa, sem tantas cobranças” conta Neoma.
Fazer uma ou duas pausas durante o ano protege a saúde física e mental, pois os níveis de estresse diminuem, o sono melhora e o corpo consegue voltar ao seu equilíbrio natural. “Quando nos afastamos da rotina pesada, o organismo ativa mecanismos de recuperação que não conseguem funcionar bem quando estamos sob pressão contínua. Por isso, muitas pessoas só percebem o quanto estavam cansadas quando finalmente descansam”, completa a Dra.
Neoma explica que dois intervalos anuais são suficientes, desde que o descanso seja para valer. Segundo a Dra., é importante lembrar que descanso não é só viajar ou dormir o dia inteiro, mas também fazer coisas leves, que dão prazer, sem obrigação. “A pausa também pode ser ativa, fazer atividades que estão na sua lista de espera como tomar um café com calma, escolher sua refeição, organizar a casa e os materiais, aproveitar mais a família, fazer atividade física, encontrar aqueles amigos que ficaram esperando o fim do semestre chegar”.
A médica esclarece que a melhor maneira de aproveitar as férias é aquela que faz sentido para cada pessoa. Para alguns, é ótimo viajar, já para outros, ficar em casa curtindo a família, enquanto outros preferem colocar o sono em dia. “O importante é reduzir exigências e permitir que a mente desligue um pouco do ritmo acadêmico. Atividades que promovem bem-estar, contato com a natureza, movimentar o corpo, hobbies esquecidos ajudam muito. Férias não precisam ser sinônimo de parar tudo, mas precisam ser um momento de reduzir a carga, não de aumentá-la”.
Quando o aluno não tem essa pausa, o corpo pode cobrar. Aparecem estafa, irritabilidade, dificuldade de memorização, ansiedade, alterações de sono e até queda de imunidade. A longo prazo, o risco pode ser maior, com o chamado burnout acadêmico. E depois de um esgotamento mental, a recuperação é sempre mais difícil do que a prevenção. Por isso, é tão importante o autocuidado.
“Estudantes descansados aprendem melhor, têm mais foco, concentração e clareza. Produtividade não é só fazer, é também se permitir parar. Além disso, o descanso reorganiza as ideias. Muitas vezes, soluções e insights para projetos surgem justamente quando não estamos pensando neles. Pausa também é estratégia. Sem descanso, o cérebro funciona como um computador cheio de abas abertas e uma hora ele trava. A memória de curto prazo fica comprometida, a atenção some e o raciocínio fica mais lento. Ou seja, o aluno até estuda, mas rende muito menos. Às vezes, estudar descansado por 1 hora vale mais do que insistir exausto por 4”, finaliza Neoma.