Centro de Pesquisa Clínica do UniBH fortalece vertente em Minas Gerais e amplia acesso a inovação em saúde
Por trás de cada novo medicamento ou vacina disponível à população, existe um caminho longo, técnico e, muitas vezes, pouco visível: o da pesquisa clínica. Em Belo Horizonte, esse percurso ganha protagonismo com a participação do Centro de Pesquisa Clínica do UniBH / Inspirali em um estudo inédito para o desenvolvimento de uma nova cepa da vacina contra a gripe, em parceria com o Instituto Butantan.
Com uma ampliação celebrada na última quinta-feira, 26, o espaço passa a operar em uma lógica mais robusta, capaz de conduzir pesquisas de maior complexidade e com impacto direto na vida da população. Nesse contexto, o UniBH passa a integrar o estudo clínico com foco inicial na população acima de 60 anos, que hoje representa mais de 32 milhões de brasileiros, de acordo com o último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Integrante da Inspirali Research Organization (IRO), rede que pertence à Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, esta é a primeira vez que o UniBH participa de estudos com vacinas, em uma parceria que amplia o diálogo entre o setor público e o ambiente acadêmico privado. “Estamos falando de uma expansão que não é só de espaço, mas de atuação. O Butantan passa a desenvolver parte deste estudo dentro do nosso centro, o que fortalece muito a pesquisa clínica em Minas Gerais”, afirma a coordenadora do Centro de Pesquisa Clínica do UniBH, Flávia Andrade Almeida.
A parceria também reforça a importância de ampliar a rede de centros de pesquisa no Brasil. Para a gestora médica do instituto, Carolina Barbieri, a descentralização é essencial para garantir diversidade e qualidade nos estudos. “Precisamos de centros qualificados em todo o país para alcançar diferentes perfis populacionais. Isso melhora a qualidade das pesquisas e permite desenvolver soluções mais eficazes para a população”, explica.
Desenvolvimento da vacina
A vacina em estudo no UniBH traz um diferencial técnico importante: o uso de um adjuvante, componente desenvolvido pelo próprio Instituto Butantan, que potencializa a resposta imunológica e amplia a eficácia do imunizante. Esse tipo de tecnologia permite que a vacina tenha uma resposta mais ampla e, nesse caso, um impacto coletivo maior.
Diferente de um medicamento específico, que atende um grupo restrito de pacientes, a vacina, quando aprovada, alcança toda a população. Essa lógica amplia o alcance social da pesquisa clínica. Se, em um primeiro momento, os estudos envolvem grupos específicos, como idosos, mais vulneráveis à gripe, no futuro, os benefícios se estendem de forma universal.
O movimento também reflete um contexto mais amplo. Desde a pandemia de COVID-19, a pesquisa clínica ganhou protagonismo global e passou a ser mais valorizada tanto pela sociedade quanto por instituições públicas e privadas. “Hoje existe uma compreensão muito maior da importância da ciência. A pesquisa clínica vive um momento de crescimento, e iniciativas como essa mostram como é possível descentralizar esse desenvolvimento e levá-lo para diferentes regiões do país”, analisa Flávia.
Impacto no ensino e expansão do centro
A ampliação do Centro de Pesquisa Clínica do UniBH sustenta a chegada de estudos como o da vacina e marca um novo momento da instituição. Criado em 2023 e viabilizado pelo Inspirali Research Organization (IRO), iniciativa privada que une o ensino superior com pesquisa clínica médica, o espaço foi estruturado para o desenvolvimento de estudos de alta complexidade, voltados principalmente à inovação e à assistência à saúde.
“A IRO foi criada com o intuito de fazer a diferença na ciência do nosso país e contribuir significativamente para a educação. O nosso novo centro é um ambiente onde a pesquisa e a formação profissional andam de mãos dadas. Aqui, os professores atuam como investigadores em pesquisas clínicas, promovendo um aprendizado prático e de qualidade, e os estudantes de diversas, áreas além da medicina, atuam como assistentes de pesquisa”, conta Andrea Coscelli Ferraz, diretora de Alianças Estratégicas na Inspirali Research Organization.
O centro iniciou a condução de pesquisas clínicas em 2024 e, desde então, já realizou e concluiu quatro estudos em diferentes áreas, incluindo dor em odontologia, hipertensão arterial com diferentes dosagens de medicamentos, tratamento de gripe e uma pesquisa internacional voltada a adolescentes com dermatite atópica, com duração de dois anos.
Para a coordenadora do curso de Medicina, Ana Cristina Lopes Albricker, a estrutura tem impacto direto na formação dos estudantes. “É um espaço de oportunidades. Aqui, o aluno aprende, pratica e acompanha os resultados junto à comunidade. Isso fortalece a formação e cria profissionais mais preparados para os desafios da saúde contemporânea”, afirma.
Além dos estudos já realizados, o centro projeta a ampliação de sua atuação ao longo de 2026, com novas pesquisas nas áreas de alopecia feminina e masculina, neuropatia diabética, insônia e dor associada à extração de molares, além do estudo clínico da vacina contra a gripe.